sudário

Hay 690

concluída a devassa dos orifícios

o pénis encosta-se à face

como o pássaro ferido

que busca um pouco de repouso

num qualquer recanto da floresta

ao abrigo do vento

.

a mão é a varinha mágica

que extrai

o espasmo sincopado

das artérias

à rigidez

da erecção

.

então

um jorro de diamantes atravessa o rosto

espalha-se pelo cabelo

envolve os olhos

banha as comissuras

penetra nas concavidades

para se insinuar na fenda perfeita

que entre os lábios se oferece

aflorar os dentes

e beijar a língua com ternura

.

será de esperma este sudário

e esta espantosa verónica

um pénis inquieto e simples

sudário