mar

Hay 672a

.

cavalgam-se os corpos

como se cavalga o destino

.

há algo de mar

entre o ir e vir do tronco

e a flexão dos pés

que de seguida

se curvam

num gemido

de dedos esticados e abertos

a oferecer-se

à exploração das unhas

.

no lago de todos os fluidos

a vagina será sempre um porto seguro

mar

suor

Hay 668a

 

o que primeiro

se mistura

é o suor

.

o suor

transforma

a pele

no espelho

reluzente

do seu próprio

desejo

.

no corpo

penetrado

que se move

agora

sem atrito

fica a memória

branca

de um rasto

de sal

que a minha boca

sem surpresa

achará

ser doce

como o mel

suor